II Expedição no Rio Ribeira de Iguape tem início no Quilombo de Porto Velho

Uma comunidade quilombola localizada às margens do Rio Ribeira e que tem como um de seus maiores problemas a falta de água para abastecimento humano. Foi este o ponto de partida da II Expedição de Educação Ambiental e Levantamento de Campo do Rio Ribeira, que teve início neste domingo, dia 16 de outubro, no Quilombo de Porto Velho, em Iporanga.

O local foi escolhido como ponto de partida da expedição por receber apoio da Campanha Cílios do Ribeira para a restauração de suas matas ciliares, com o objetivo de aumentar a quantidade de água disponível para consumo e também ampliar o pasto apícola, pois a comunidade tem investido na apicultura como geração de renda e oportunidade para fixação dos jovens no território quilombola. Foi realizada visita à uma roça tradicional, com produção consorciada de feijão e mandioca, onde representantes da comunidade falaram sobre a importância das políticas públicas voltadas ao agricultor familiar, como Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional de Alimentação Escolar, importantes ferramentas de apoio o pequeno agricultor. Seu Espiridião, 74 anos e ainda trabalhando na roça, salientou a importância da roça para a segurança alimentar, garantindo uma alimentação saudável e acessível à comunidade.

Na sequência, foi feita visita à Unidade de Beneficiamento de Mel, inaugurada no dia anterior, e que, segundo César dos Santos, um dos coordenadores da atividade apícola em Porto Velho, vai aumentar as oportunidades de comercialização do produto, melhorando sua qualidade e alcançando os certificados necessários para inserção do produto nos grandes mercados. César, em contraste com o Seu Espiridião, tem 24 anos, e representa uma nova geração de quilombolas que está participando da construção de alternativas para que os jovens permaneçam em seus territórios.

Depois da visita à Porto Velho, a equipe da Expedição seguiu viagem à sede do município de Iporanga. Na praça central foi feita projeção do vídeo “Olhares Cruzados”, do Instituto Socioambiental, produção do final da década de 90 que discute temas ainda muito atuais para a realidade do Vale do Ribeira: a ameaça das barragens, a falta de incentivo à produção agrícola tradicional quilombola, os impactos do Valo Grande e a necessidade da construção de um modelo de desenvolvimento que aproveite as riquezas da sociobiodiversidade da região.

Para finalizar as atividades do dia, a Banda Municipal de Iporanga fez uma bela apresentação no coreto da praça. A Expedição segue amanhã, começando em Iporanga, com plantio simbólico de mudas nativas, e segue rumo à Itapeúna, distrito de Eldorado. Amanhã começam também as atividades técnicas previstas na programação, como coleta de amostras de solo e água e análise da fisionomia vegetal das matas ciliares. A equipe percorrerá o trecho em barcos voadeiras.

Acompanhe a II Expedição Rio Ribeira pelo Diário de Bordo. Maiores informações pelos telefones (13) 81273344, (13) 38711697 ou (11) 94717830.

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